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Conheça as cobras venenosas existentes em Santa Catarina

Grupo de biólogos da UFSC publicou livro detalhando as 11 espécies de serpentes peçonhentas presentes no Estado; saiba onde elas vivem, como se prevenir e os primeiros socorros em caso de picada

Você conhece os tipos de cobras venenosas que existem em Santa Catarina, e quais delas podem estar perto de sua casa? Saiba como se prevenir e como agir caso seja picado pelo réptil.

Das 442 espécies de cobras no Brasil, 84 podem ser encontradas no Estado. Destas, 11 são venenosas, sendo um tipo de Cascavel, três espécies de Coral-verdadeira e sete de Jararacas.

Um grupo de biólogos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) publicou o livro Ofidismo em Santa Catarina, que detalha onde esses animais podem ser encontrados e como identificá-los.

“É importante saber que ‘Jararaca’ e ‘Coral-verdadeira’ são nomes comuns que podem ser aplicados a cerca de 30 espécies dos gêneros Bothrops e Micrurus, respectivamente. Já a Cascavel é uma única espécie em todo o Brasil, em Santa Catarina [o registro] ocorre em algumas regiões do Planalto, Meio- Oeste e Oeste do Estado”, explica Tobias Kunz, um dos biólogos responsáveis pelo estudo.


Prevenção

Em Santa Catarina, os acidentes com serpentes acometem principalmente trabalhadores do campo do sexo masculino, entre 39 e 59 anos, de acordo com os especialistas.


Para evitar os acidentes, alguns cuidados básicos devem ser adotados, como por exemplo utilizar botas de cano alto ou perneiras quando estiver andando no campo ou em trilhas.

Além disso, é importante observar atentamente todo o local antes de pegar objetos no chão e de entrar em rios, lagos ou cachoeiras.

Sapatos, botas, sacos de dormir e outros utensílios que podem servir de esconderijo para as serpentes também devem ser constantemente verificados.

Os biólogos destacam, ainda, a importância de manter limpa as áreas próximas às casas para reduzir a presença de ratos e camundongos, que servem de alimentos para as cobras.

Vale ressaltar que, caso encontre uma serpente morta, não se deve pegá-la com as mãos, visto que o veneno das glândulas permanece ativo por um tempo.


Primeiros socorros

Em caso de acidente, é importante que os procedimentos corretos sejam adotados, ou então a situação do paciente pode piorar.

O local do acidente deve ser lavado apenas com água e sabão. Caso a picada seja nas mãos ou pernas, o membro há de ser mantido em posição mais elevada que o corpo.

A próxima medida é buscar ajuda no hospital mais próximo. Caso seja necessário, solicitar auxílio do Corpo de Bombeiros ou da Polícia Militar. Destaca-se que não se deve tentar remover o veneno ou aplicar algum produto sobre o local da picada.


Conheça agora as 11 espécies de cobras peçonhentas encontradas em SC:


Cascavel


Cascavel (Crotalus Durissus): sua picada tem envenenamento crotálico, em até três horas a vítima pode apresentar dificuldade em abrir os olhos, visão turva, dor muscular e urina avermelhada. A Cascavel é encontrada nas mesorregiões Serrana e Oeste de Santa Catarina. Ela pode atingir até 1,6 metros quando adulta. Por fazer muito barulho, seu índice de acidentes com humanos é baixo, corresponde a apenas 0,81% das ocorrências registradas no Estado entre 2007 e 2014 – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC



Corais-verdadeiras



Coral (Micrurus Decoratus): espécie endêmica da Mata Atlântica. Em Santa Catarina existe apenas um registro confirmado, em Joinville. Tem coloração vermelha, preta e branca, no padrão de tríade. Os anéis pretos são mais curtos do que os vermelhos e a primeira tríade, a do pescoço, é incompleta. Os machos são maiores ou iguais às fêmeas e o acasalamento acontece no outono. As corais verdadeiras estão envolvidas em apenas 0,85% dos acidentes com humanos em SC – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC



Coral (Micrurus Corallinus): É mais comumente encontrada nas mesorregiões Vale do Itajaí e Grande Florianópolis, incluindo a Ilha de Santa Catarina. Possui coloração vermelha, preta e branca no padrão de mônade (um anel preto e dois brancos entre dois anéis vermelhos). É mais comumente encontrada nas mesorregiões Vale do Itajaí e Grande Florianópolis, incluindo a Ilha de Santa Catarina. Possui coloração vermelha, preta e branca no padrão de mônade (um anel preto e dois brancos entre dois anéis vermelhos). O veneno das Corais-verdadeiras é elapídico, a vítima pode apresentar dificuldades em abrir os olhos e em engolir, visão turva, falta de ar e insuficiência respiratória aguda – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC



Coral (Micrurus Altirostris): é encontrada praticamente em todo o estado, sendo mais comum nas mesorregiões Serrana, Oeste e Norte. Tem coloração vermelha, preta e branca, no padrão de tríades. Possui três anéis pretos e dois brancos entre dois anéis vermelhos. As corais-verdadeiras pertencem à família Elapidae, elas têm olhos pequenos, dentição proteróglifa, são ovíparas e não possuem fosseta loreal. Se alimentam principalmente de serpentes, lagartos sem patas e cobras-cegas. A sua peçonha tem ação neurotóxica, afetando o sistema nervoso, e pode causar paralisia respiratória. São responsáveis por menos de 1% dos acidentes ofídicos em todo o Brasil – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC



Jararacas


Jararaca Comum (Bothrops Jararaca): espécie comum no estado. Se alimenta de pequenos roedores. Responsável por 74% dos acidentes ofídicos do estado. Os filhotes nascem no verão. As Jararacas possuem envenenamento botrópico. Elas são as maiores causadoras de acidentes em Santa Catarina, sendo 80,49% dos casos entre 2007 e 2014.  – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC



Jararacuçu (Bothrops Jararacussu): presente na região Litorânea e no Extremo Oeste catarinenses. É a maior espécie de jararaca do Estado e pode atingir até dois metros de comprimento. É uma espécie geralmente associada a áreas de florestas bem preservadas. As jararacas pertencem à família Viperidae e formam o grupo de cobras peçonhentas mais numeroso em Santa Catarina – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC



Jararaca-da-barriga-preta (Bothrops cotiara): encontrada nas florestas com araucárias dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Tem coloração castanha esverdeada com desenhos de trapézio e o ventre preto, por isso o nome comum de Jararaca-da-barriga-preta. Entre as características das Jararacas, está a dentição solenóglifa e a fosseta loreal – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC



Cruzeira (Bothrops Alternatus): aparece em áreas abertas do nosso Estado. Essa espécie apresenta desenhos com linhas que se cruzam na cabeça, semelhantes a uma cruz, de onde vem o nome popular de cruzeira. Em ate três horas após o acidente com uma Jararaca, a vítima pode apresentar dor imediata e persistente. Além de inchaço no local afetado, calor e pele avermelhada na região atingida, hemorragia no local da picada ou distante dela e aumento do tempo de coagulação do sangue. Bolhas, gangrena, abscesso, insuficiência renal aguda são algumas das complicações que podem ocorrer após a picada. – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC




Jararaca-Pintada (Neuwiedi): no estado de Santa Catarina três espécies são chamadas popularmente de Jararacas-pintadas, a que aparece na foto acima é a Bothrops Neuwiedi. As Jararacas são vivíparas, quando filhotes, a maioria das espécies possui a ponta da cauda branca e por isso também são conhecidas por jararaca-do-rabo-branco – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC



Jararacas-pintadas: B. Pubescens e B. Diporus: As Jararacas-pintadas possuem coloração que pode ir do marrom claro, ao marrom escuro com manchas em formato de “v” invertido, e pontos brancos que ficam próximos ao ventre e à boca, o que lhes dá o nome comum de jararaca-pintada. As jararacas adultas se alimentam principalmente de roedores – Foto: Reprodução/Ofidismo em Santa Catarina/UFSC





Fonte: ND+