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Salto Veloso – Bate-papo online aborda despejo do povo caboclo do Contestado na região


O bate-papo por meio de videoconferência foi realizado na tarde desse domingo (16), no canal do youtube da Cultura de Salto Veloso. A iniciativa é da Casa de Cultura Abel Abatti.

A diretora de cultura Célia de Bortoli explica que a iniciativa intitulada “O despejo do povo caboclo do Contestado, em Salto Veloso, Treze Tílias e região: uma conversa com Pasin e Fraga” resultou no encontro virtual entre o velosense Jair Pasin e o professor do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Londrina o Nilson Cesar Fraga.

O objetivo foi promover uma reflexão sobre a presença do povo caboclo em Salto Veloso e na Linha Três Barras em Treze Tílias e o despejo desses em função do processo de colonização nos anos 20.

O encontro foi mediado por Célia de Bortoli e contou com a colaboração da professora de história Aline Bazzo e do professor João Paulo Almeida, da Companhia de Teatro Vento Negro de Caçador.

Pasin é contador de histórias e estórias, e premiado neste ano com o Prêmio Sal da Terra. Braga é pesquisador da Guerra do Contestado e faz estudos em Salto Veloso desde 2011.

O bate-papo foi transmitido ao vivo e muitas pessoas também enviaram suas perguntas e comentários. Assista abaixo o vídeo da transmissão.


Célia lembra que a criação do Canal no youtube foi mais uma estratégia para dar transparência às ações do Departamento de Cultura durante o período de pandemia e também tem gerado maior interação para além da comunidade local.

Confira alguns depoimentos dos participantes do bate-papo:

Célia de Bortoli

“Foi muito importante a realização deste debate, pois o resgate da memória do povo caboclo em Salto Veloso é um dos compromissos firmados no Plano Municipal de Cultura, Salto Veloso carrega o nome de um caboclo e precisa resgatar a história de Antônio Veloso e demais famílias que aqui fixaram morada no início do século passado. Não há na cidade nenhum monumento que faça a devida homenagem e resgate da cultura cabocla”.


Nilson Cesar Fraga

“O bate-papo que envolveu, sobretudo as memórias do Sr. Jair Pasin sobre fatos históricos velosenses, foi muito rico ao demonstrar o processo histórico de despejo da população cabocla que habitava a região desde que se iniciou a colonização oficial regional, por meio das companhias colonizadoras e também nos permitiu perceber as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes.

Tais fatos trazidos e rememorados pelo Sr. Jair Pasin, demonstram a relação de coexistência das pessoas que viveram os momentos históricos dos anos de 1920 até os dias de hoje. Agradeço ao Departamento de Cultura de Salto Veloso pelo convite de dialogar com o Sr. Jair e de realizar um evento tão importante para a memória, a cultura e sobre o modo de vida regional.

Foi uma grande honra dividir esse momento histórico com a Célia, a Aline e o João Paulo, que nos possibilitaram uma conversa leve e alegre, mesmo que se falasse sobre as dificuldades e as violências vividas, principalmente, pelo povo caboclo em Salto Veloso, Treze Tílias e na região de maneira geral.

Tudo isso nos remete a importância da cultura de um povo, sobretudo pelo fato de as relações histórico-culturais serem a bússola que nos guia nos dias atuais, afinal, não há possibilidade de futuro quando não se reverencia a luta dos nossos antepassados, daqueles que ergueram a civilização em que vivemos, mesmo que, nem sempre, a história de um povo seja marcada por momentos bons, mas por uma história de lutas, resistências, alegrias e tristezas. Somos fruto dessa construção cheia de histórias de vidas e complexidades. Parabenizo, novamente, o Departamento de Cultura de Salto Veloso, acreditando que promoverão outras ações desse tipo, conversando com os mais antigos, os que possuem as memórias do povo velosense, e que são fundamentais para garantir o futuro do município, da história regional, catarinense e brasileira."

Aline Bazzo

"Somos agentes históricos e dessa forma reproduzimos as transformações sociais que vivemos através do patrimônio material e imaterial. Conhecer o passado é uma forma de preservar um pouco dessa história e dessas transformações, compreendendo o contexto em que estamos vivendo."

João Paulo Almeida


"Nestes tempos onde temos que inventar novas alternativas pra fazer nosso trabalho, ontem foi uma experiência nova pra mim. Conhecer mais sobre a nossa própria história através da vivência do seu Jair Pasin foi uma grande aula num domingo a tarde. Isso sabendo que estávamos com uma plateia de cerca de 45 pessoas assistindo simultaneamente é gratificante, ainda mais que o conteúdo fica disponível para futuras pesquisas pra qualquer pessoa do mundo, onde podemos concluir que duas horas depois do final da live já tínhamos mais de 300 visualizações, é como se tivéssemos um auditório lotado de pessoas. Foi muito enriquecedor fazer parte desse momento."


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Fonte: Rádio Tropical FM