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A história do jovem que perdeu auxílio emergencial que sustentaria a família no RS


Ivoti – A história a seguir é daquelas que renderia um bom roteiro de filme, um capítulo empolgante de um livro ou simplesmente uma acalorada discussão na roda de amigos. Tiago Dias Peres reside na área da Perimetral, bairro Cidade Nova, em Ivoti, e vive a expectativa de dias melhores em razão de uma longa disputa judicial.

O local, inclusive, já foi cenário de diversas coberturas do Diário. A vila acanhada padece de infraestrutura básica, trazendo aos moradores como principal transtorno, a falta de uma distribuição decente de água. Nas torneiras da comunidade sai apenas barro. E é neste ponto sofrido entre Ivoti e Estância Velha que esta jornada começa.


Uma casa com renda prejudicada

Como a maioria dos residentes da área, o rapaz de 24 anos trabalha no corte do mato de acácia. Em razão da pandemia, ele e boa parte da comunidade ficou sem serviço. Os contratantes temem não conseguir arcar com o pagamento, pela baixa procura da lenha neste momento. Então, Tiago está sem serviço há dois meses.

Com ele moram mais duas pessoas, sua esposa e o filho de apenas seis meses. A salvação financeira da casa, momentaneamente, vinha da mulher, que trabalhava em uma fábrica de calçados de Ivoti. Infelizmente, ela também entrou na triste estatística gerada pelo coronavírus, que acabou lhe tirando o emprego na semana passada. A única renda do lar teria de vir do auxílio emergencial, uma cota de R$ 600, agregado ao dinheiro recebido pela esposa no ato da demissão.


Uma fração de distração


Com documentação encaminhada, Tiago pegaria sua primeira parcela do auxílio na quarta-feira, 20, uma data que ficaria marcada na memória da família para sempre. Neste dia, todos embarcaram no Fiat Uno 94 adquirido pelo casal recentemente. Veículo, aliás, conquistado com muito esforço e uma pequena dose de engenharia financeira, já que está sendo quitado em 16 vezes. A família partiu rumo ao Centro de Ivoti, onde parou em frente a Caixa Econômica. Tiago desceu do carro, mãe e filho permaneceram.

O rapaz aguardou pacientemente na fila, ingressou na agência e com auxílio do atendente conseguiu retirar do caixa eletrônico o dinheiro salvador, cuja boa parcela iria justamente para o pagamento do Uno. Tiago deixou a Caixa e a pé mesmo foi até a farmácia, onde aproveitou para comprar o lenço umedecido do bebê.

Retornou ao veículo para ficar com o filho, já que a esposa teria que descer para tratar da sua rescisão no escritório. A porta do Uno insistia em não abrir, então ele largou seus pertences sobre o teto e a forçou, abrindo passagem para a mulher. Após todos os objetivos concluídos no Centro, a família partiu para casa, sem Tiago recordar dos pertences deixados em cima do Uno.


Desespero e repercussão


A falta da carteira foi percebida em seguida, fazendo a família retornar onde tudo tinha começado. Uma busca frenética se iniciou, com muitas perguntas a todos que circulavam pela avenida Presidente Lucena. Tiago chegou a recorrer ao quartel da Brigada Militar em busca de socorro.

O primo de Tiago, Jonas Oliveira, procurou a equipe do Diário para pedir ajuda, relatando o drama vivido pelo parente e a busca frenética pelo acessório no Centro da cidade. A notícia foi para as redes sociais do jornal e em menos de meia hora já tinha 50 compartilhamentos, demonstrando que a comunidade estava engajada em auxiliar o rapaz.


A honestidade venceu

No início da tarde um pedestre caminhava pela principal avenida do município, quando percebeu uma nota de R$ 100 sendo levada pelo vento em meio a pista. O homem, um empresário de Ivoti que prefere não se identificar, percebeu que mais de uma cédula estava vagando livremente na via. Em poucos minutos, os R$ 600 reais perdidos de Tiago haviam sido recuperados. Não bastando, há poucos metros do local, a carteira do rapaz foi localizada com todos os documentos intactos.

O morador analisou o acessório e passou a ligar para todos os números que encontrou, mas em nenhum conseguiu encontrar Tiago. Foi quando o empresário chegou até a publicação do Diário e descobriu o verdadeiro contato. O encontro foi marcado na empresa do benfeitor, localizada no bairro Farroupilha. Neste ínterim, a Brigada Militar havia sido contatada para acompanhar a entrega, para garantir a idoneidade do gesto.

A tensão chegou ao fim após cinco horas de incertezas e medo. O alívio transbordou do semblante de Tiago, que não teve palavras para expressar o agradecimento ao empresário. A história chegou ao fim e prevaleceu a honestidade e a sorte. E claro: a certeza que coisas boas acontecem, mesmo em meio a um cenário caótico em que vive os moradores daquela vila da Perimetral.



Fonte: Michel Teixeira

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