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Jovem de Jaborá participa de Programa Internacional na Favela da Paz em São Paulo


A constante busca pelo crescimento profissional e material tem despontado cada vez mais no ser humano a individualidade. Na inquietação dos seus afazeres, o outro acaba passando despercebido e a empatia vai ficando cada vez menos praticada. Ajudar o próximo? Caridade? Até que ponto você está disposto a comprometer o seu tempo dando atenção para o outro ou buscando soluções para os principais problemas econômicos e sociais da sua comunidade? É costume no início de um novo ano serem traçadas (ou retraçadas) metas pessoais. Seria utopia incluir: um mundo melhor? O que eu posso fazer para melhorar ou mudar o mundo? O jaboraense Kaue Grotto tem apenas 17 anos e esta é uma de suas prioridades: contribuir para um mundo melhor. Ele encerrou o ano de 2019 participando de um programa de formação de líderes a serviço da sociedade. O Programa Latin American Leadership Academy ou “LALA” é voltado para jovens de 14 a 20 anos com o objetivo de prepará-los para liderança, buscando a inovação social. Para cada edição, chamada de “Bootcamp”, são selecionados apenas 30 jovens de toda a América Latina e o jaboraense foi aprovado para participar do Bootcamp que aconteceu de 1º a 07 de dezembro, com vivência em uma das maiores favelas de São Paulo, a Favela da Paz. “Eu conheci o Lala quando participei do Programa Jovens Embaixadores na etapa de Florianópolis e resolvi me inscrever, no que se chama “Application”, onde eu escrevi uma redação curta sobre mim e enviei um vídeo falando sobre o meu interesse pelas atividades e os problemas que gostaria de solucionar. O projeto que inscrevi era para dar aulas de Inglês, gratuitamente, para a comunidade. Em duas semanas recebi o resultado que eu havia sido aprovado, depois disso vieram entrevistas, redação, provas e, enfim, a viagem para São Paulo, a experiência mais incrível e mágica da minha vida”, relata Kaue.

“Estávamos em 23 jovens, de várias partes do Brasil e também de outros países, cada um com uma história de vida, que pôde apresentar para o grupo já no primeiro dia de convívio. Ninguém era igual, ou tinha uma experiência de vida parecida, mas a gente chegou lá e já se identificou com todo mundo, todos com a mesma energia, com o mesmo propósito de mudar o mundo. Durante os dias em que estivemos no Bootcamp recebemos informações para autoconhecimento, desenvolvimento de liderança e comunicação, Inteligência Socioemocional, Inovação e Empreendedorismo Social e Engajamento Comunitário, repassados pelos mentores e facilitadores do Programa. Tivemos um dia inteiro de vivência em uma favela. Foi a melhor experiência da minha vida e acho que todo mundo deveria ter, é única! A vida é muito além do que a gente imagina! Lá pudemos conhecer líderes dentro da comunidade que desenvolvem diversas ações para melhorar aquele meio. Esse é o propósito do LALA, incentivar lideranças para promover uma grande transformação social onde vivem. Conhecemos um senhor que criou um sistema de distribuição de gás metano para sustentar a localidade onde ele está. Através de um biodigestor que faz a decomposição dos resíduos que eles próprios produzem e que iria para o lixo. É um exemplo de superação que nos mostrou para não desistirmos de nossos projetos. No encerramento precisamos apresentar um Projeto Final e o que foi incrível é que ninguém fez igual ou parecido, cada um apresentou de um jeito: cantando, recitando poesia, fazendo Rap, o “inovar” está sempre presente”.

“Também aprendemos muito sobre motivação e gratidão. A sociedade hoje segue muito o ego, a maioria das pessoas pensa apenas em si, isso deveria ser quebrado: pensar no próximo, no que o outro está sentindo, o que está acontecendo na vida dele, se ele está se sentindo bem… Isso era algo que os facilitadores estavam sempre nos estimulando, questionando como estávamos nos sentindo. Tínhamos uma ferramenta maravilhosa, a “parede da gratidão”: toda vez que nos sentíamos motivados ou gratos por algum amigo, a gente fazia um bilhetinho e colocava naquele mural para ele. No penúltimo dia teve um momento muito especial para conversar com nossos mentores, que são os nossos professores. Alguns vieram de Portugal, outros da África do Sul, da Argentina. Eles mudaram as nossas vidas, a minha vida principalmente, eles nos dão um significado diferente para a vida. Foi tanto conteúdo em apenas 7 dias e tudo de uma forma bem dinâmica, eles sempre nos valorizando e motivando a fazer mais”.

A vontade de fazer algo pela comunidade é nata em Kaue, o jovem tem há dois anos um canal no Instagram (@studies.kg), onde ensina métodos de estudos e conta com mais de cinco mil seguidores: “como eu comecei a fazer curso pré-vestibular desde o nono ano do ensino fundamental, eu tenho diversos métodos para buscar a aprovação no vestibular, métodos de cores, métodos para o desenvolvimento da pessoa para ela ir bem no vestibular, então eu coloco vários posts com dicas, matérias dos vestibulares. Tenho tido um feedback fantástico das pessoas comentando como foram bem com as dicas, é muito gratificante”. Kaue já foi aprovado em dois cursos universitários, mas não pôde efetivar a matrícula pois ainda está cursando o Ensino Médio, o qual concluirá no final de 2020.

O LALA contribuiu com a “injeção de ânimo” e motivação e também para a aplicação do primeiro projeto: “Eu saí daqui com um pensamento e voltei com um propósito bem diferente para mim. Até então, eu pretendia cursar uma faculdade de Engenharia Química, agora eu quero investir na Educação, porque eu vi que a Educação transforma o mundo. Aquele projeto que eu inscrevi para participar do LALA, de ensinar Inglês para a comunidade, gratuitamente, quero aplicar aqui, com as dicas que aprendi lá, com um método de ensino inovador, sem ficar em frente a um quadro em uma sala fechada. Já estou montando uma turma para um intensivão de 30 aulas, de Março a Setembro, com vários métodos voltados para a comunicação, a conversação, não visa a fluência, mas a compreensão e o diálogo”, explica Kaue. 










(Informações Maria Tereza/Ascom)

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