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Duas pessoas são presas em Lages suspeitas de venderem falsos emagrecedores

Potes do mesmo medicamento supostamente natural que vitimou mulher na Serra catarinense foram encontrados nas casas dos suspeitos.

IGP encontrou substância sintéticas em emagrecedores analisados em SC 
— Foto: NSC TV/Divulgação

Uma mulher e um homem foram presos em Lages, na Serra catarinense, na manhã desta quinta-feira (17) suspeitos de venderem medicamentos supostamente utilizados para emagrecimento sem procedência. As prisões em flagrante ocorreram enquanto a polícia cumpria mandados de busca e apreensão do inquérito que investiga a morte de uma mulher em Lages.

Os policiais cumpriram os mandados em três endereços e em dois deles, nos bairros Petrópolis e Ipiranga, encontraram potes do mesmo medicamento, supostamente natural, que a vítima de Lages teria tomado. No entanto, conforme a polícia, o inquérito segue em investigação e não é possível afirmar se foram os dois quem venderam as pílulas para a mulher.

Até as 12h desta quinta os dois suspeitos ainda estavam sendo ouvidos na Central de Polícia de Lages, que não informou as idades dos dois suspeitos e o que alegaram. Eles devem ser levados no período da tarde para o presídio de Lages.


Mortes


O comércio ilegal dos falsos emagrecedores foi tema da série de três reportagens "Pílulas Mortais", da NSC TV. Em vários estados do país já foram registradas mortes e complicações de saúde em pessoas que decidiram fazer a auto medicação, o que tem deixado médicos e a polícia em alerta.

Uma mulher de 27 anos de Lages, na Serra catarinense, é uma das vítimas. Ela foi encontrada morta em abril deste ano e, segundo o IGP, a causa da morte foi a intoxicação provocada por substâncias químicas encontradas no emagrecedor supostamente natural que vinha tomando. A polícia tenta identificar essa rede de comércio em Santa Catarina.


Sem propagandas

Na quarta-feira (16), a 2ª Vara da Fazenda Pública de Florianópolis determinou que um site nacional de comércio eletrônico retire as propagandas e ofertas de seis marcas de falsos emagrecedores. A decisão cita a falta de informações claras nos produtos e a proteção da saúde do consumidor. O site tem até sexta-feira (18) para fazer a retirada, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

Nos rótulos, os falsos emagrecedores são vendidos como 100% naturais. Porém, análises do Instituto Geral de Perícias (IGP) provaram que as pílulas não eram feitas à base de ervas, como diziam as propagandas e vendedores. A perícia apontou a presença de substâncias químicas controladas, como a sibutramina, utilizada para tratamentos graves de obesidade, o diazepam, usado no tratamento de ansiedade, e o clobenzorex, uma anfetamina.

Essas análises do IGP foram citadas na decisão judicial e o juiz também defendeu a retirada das ofertas para resguardar a "integridade física e psíquica dos consumidores". O pedido de intervenção da Justiça foi feito pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O órgão entrou com mais seis ações do poder judiciário relacionadas aos falsos emagrecedores.


O Procon de Santa Catarina também se mobilizou em relação aos falsos emagrecedores e notificou empresas que vendem emagrecedores supostamente naturais e determinou a retirada de anúncios para comercializar os produtos.


Fonte: G1 – SC