terça-feira, 14 de maio de 2019

Papa Francisco torna obrigatório religiosos denunciarem casos de abusos sexuais

Pároco Deolino Baldissera comenta sobre a recomendação do Papa

Foto: Rádio Vitória

O Papa Francisco divulgou na quinta-feira (9) um decreto em que torna obrigatório padres e religiosos denunciarem às autoridades eclesiásticas suspeitas de casos de abusos sexuais. A carta também estabelece diretrizes de como as dioceses devem lidar com as suspeitas de abuso. No entanto, não consta uma orientação para que os casos sejam reportados às autoridades civis.

O decreto papal “Vos estis lux mundi” (Vós sois a luz do mundo) é divulgado em um momento em que a igreja é alvo de diversas denúncias de crimes sexuais, desde pedofilia até abuso contra freiras

Em março, o papa já tinha publicado uma lei sobre a prevenção e o combate à violência sexual contra menores e pessoas vulneráveis, mas não falava sobre a investigação interna dos casos. De acordo com o decreto:


·      Religiosos podem ser responsabilizados por acobertar casos de abuso

·         Dioceses têm um ano para criar sistemas simples e acessíveis de notificação de denúncias

·         Denúncias podem ser enviadas para arcebispo metropolitano ou diretamente para a Santa Sé, dependendo do caso

·         Dioceses devem incentivar igrejas a envolver especialistas de fora da Igreja nas investigações

·         Vítimas devem receber assistência espiritual e Igreja deve fornecer assistência médica, terapêutica e psicológica

·         Investigações devem garantir a confidencialidade dos envolvidos e durar até 90 dias.

O papa orienta ainda que os religiosos acolham, escutem e acompanhem vítimas e suas famílias. O pontífice, porém, mantém a inviolabilidade do sigilo da confissão. Assim, exclui que as denúncias sejam feitas a partir de relatos de fiéis feitos em confessionário.

Quando as suspeitas estiverem relacionadas a religiosos em alta posição hierárquica, como cardeais, patriarcas e bispos, a notificação pode ser enviada a um arcebispo metropolitano ou diretamente para a Santa Sé caso necessário.

Essa carta emitida diretamente pelo papa modifica a legislação interna da Igreja (o direito canônico), mas não modifica as sanções já previstas. Até então, os clérigos e religiosos denunciavam os casos de violência de acordo com sua consciência pessoal.

O papa ressalta que os “crimes de abuso sexual ofendem Nosso Senhor, causam danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas e lesam a comunidade dos fiéis”.


Em entrevista cedida a Rádio Vitória, o Padre Deolino Baldissera, Pároco da Igreja Matriz Imaculada Conceição de Videira, salientou que a igreja tem se mostrado preocupada com o crescente número de casos de abusos sexuais registrados na sociedade. Em sua fala, o Padre lembra que há diversos casos em que o abuso acontece dentro do lar, envolvendo pessoas da família, além disso, existem casos registrados com membros da igreja que são acusados de cometere os abusos. Deolino destaca a importância da carta e recomendação do Papa como forma de combater este tipo de crime.

Por considerar o abuso um crime grave, Deolino comenta que a Igreja estará sempre ao lado da vítima, dando o apoio necessário para aqueles que forem vítimas desta condenável atitude humana.

Com informações de G1

Fonte: Rádio Vitória
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