quinta-feira, 23 de maio de 2019

Gêmeas siamesas separadas se encontram após cirurgia


Mel, uma das gêmeas siamesas separadas por uma cirurgia inédita no DF, recebeu alta da UTI nesta terça-feira (21). A irmã dela, Lis, continua na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital da Criança de Brasília e, segundo o avô, Edilson Neves, passa bem.

 “A Mel teve alta hoje, às 10h30 e está no apartamento da enfermaria. É um avanço muito grande”.

 Mel e Lis nasceram no dia 1º de junho de 2018 e ficaram unidas pela cabeça por 10 meses. Elas foram separadas em abril, durante um procedimento de alta complexidade, todo feito pelo SUS.

Uma das gêmeas siamesas Mel, separadas por uma cirurgia inédita no DF, recebeu alta 
— Foto: Arquivo pessoal

A cirurgia, dividida em 36 etapas, começou às 6h30 do sábado, 27 de abril e só terminou às 2h30 de domingo, 28. Nesta terça, elas se viram pela primeira vez após o procedimento.

Conforme o avô, Lis ainda necessita de cuidados maiores, mas a expectativa é de que logo as netas poderão ficar no mesmo quarto.

“O próximo passo é esperar que Lis tenha alta e possa se juntar com a irmã, na enfermaria."


Segundo o neurocirurgião, Benicio Oton de Lima, que acompanha a evolução das gêmeas, os procedimentos agora são de troca de curativos. Mel e Lis passaram por uma cirurgia plástica na cabeça, próximo da testa, no local onde estavam unidas.

Gêmeas Lis e Mel se reencontram pela primeira vez depois de cirurgia inédita em Brasília 
— Foto: TV Globo/Reprodução

O médico afirma que Mel vai começar a fisioterapia e Lis continua em processo de recuperação com "os cuidados dia a dia".


Cirurgia complexa

Cirurgia de separação das gêmeas no Hospital da Criança — Foto: Humberto Sousa/Divulgação

Mais de 50 profissionais participaram da cirurgia de separação das gêmeas no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar. Foi o primeiro procedimento do tipo no Distrito Federal, o terceiro no Brasil e o décimo no mundo.

Considerada "raríssima" pelos médicos, ela durou cerca de 20 horas. Segundo a equipe, não havia veias ou artérias ligando o cérebro das meninas, mas o processo, além de raro, exigia extremo cuidado.


No local onde os cérebros delas ficavam encostados não existia nenhuma membrana revestindo o sistema nervoso. Antes da cirurgia, a equipe colocou bolsas de silicone, enchidas semanalmente com soro, que serviram como preparação para a separação.

Fonte: G1
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