terça-feira, 19 de março de 2019

Alunos de Blumenau criam roupas que auxiliam pessoas com deficiência nas tarefas do cotidiano

Peças foram projetadas por acadêmicos dos cursos de Engenharia Têxtil e Engenharia Controle e Automação da UFSC


(Foto: Patrick Rodrigues )

Engana-se quem pensa que os manequins, as máquinas de costura e os tecidos, das mais variadas cores, estão relacionados apenas aos grandes desfiles de moda ou à aquelas marcas europeias com itens caríssimos. Em Blumenau, os itens citados também estão ligados a um objetivo mais emergente: a inclusão.


Alunos do sétimo semestre dos cursos de Engenharia Têxtil e Engenharia de Controle e Automação da UFSC, campus de Blumenau, desenvolveram peças de roupas que auxiliam pessoas com deficiências em atividades comuns do dia a dia, ou até mesmo os familiares.

Os projetos consistem em unir a moda, tecnologia e as necessidades das pessoas com deficiência. São três peças que foram projetadas com a integração dos dois cursos, com o auxílio e supervisão da professora Grazyella Aguiar. Os alunos fizeram uma jaqueta que possui seis sensores de aproximação distribuídos ao longo da peça. A ideia é ajudar pessoas com cegueira em caminhadas. Conforme a pessoa com deficiência se aproxima de algum obstáculo ao longo do caminho, os sensores acionam pequenos mecanismos, a roupa vibra e alerta ao usuário que ele está se aproximando do objeto.

– É como se fosse um sensor de estacionamento, mas adaptado para uma realidade menor. Ao invés de apitar, como nos carros, aqui o casaco vibra, mas o princípio é basicamente o mesmo – ressalta Christian Mailer, estudante de engenharia de controle e automação.

A peça ainda leva a estampa com figuras de bailarinas, uma homenagem ao artista Antônio da Silva. Em outro manequim, um segundo casaco também esconde mais tecnologia por baixo da estampa. Nesta peça de roupa, os trabalhos foram concentrados para auxiliar pessoas com deficiência física os familiares. O item é equipado com um sensor que detecta quedas. Assim, quando a pessoa com deficiência cai, uma notificação é enviada para um aplicativo instalado no celular de um parente ou de um vizinho que esteja mais próximo para auxiliar o usuário.

– Muitas pessoas com deficiência querem a independência, moram sozinhos e fazem as tarefas do cotidiano sem ajuda. Alguns deles não possuem membros, por muitas das vezes caem no chão na tentativa de realizar essas tarefas e por morarem ou estarem sozinhos em casa no momento da queda, acabam ficando no chão, sendo obrigados a esperar alguém até a chegada da ajuda – relata Fabiele Breier, estudante de engenharia têxtil.

Ponto que também chama a atenção é o custo dos componentes eletrônicos para construir as peças. Os acadêmicos afirmam que, em média, o custo para fazer o sistema sensorial de quedas é de R$ 70.

CALÇA AUXILIA NA CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA

Uma calça também foi desenvolvida. Ele foi feita com um tecido especial, patrocinado por uma empresa de São Paulo, que possui tecnologia MIG 3, composta por óxidos de magnésio, silício, alumina e outros elementos cerâmicos que irradiam a frequência do infravermelho. Isso, segundo os pesquisadores, dilata os vasos sanguíneos ajudando na circulação. Assim, ajuda cadeirantes e pessoas que perderam os movimentos nas pernas.

Todo o material planejado está de acordo com as principais necessidades das pessoas com deficiência. Ao longo do projeto, os alunos visitaram a Associação Blumenauense de Deficientes Físicos (Abludef) para ouvir as pessoas com deficiência e adaptar as demandas à tecnologia. Até um desfile da inclusão, com roupas especiais, foi organizado em novembro do ano passado, tendo três pessoas com deficiências como modelos.

Aos alunos, ficou o aprendizado e a gratidão em poder ajudar ao próximo através do meio profissional.


– Acredito que viemos para um bem maior, e por ter oportunidade de receber conhecimento. Temos que usar esse conhecimento em prol do próximo, e podendo aplicar o que aprendemos na academia para mudar um pouquinho a vida de alguém. De pouquinho em pouquinho, teremos um mundo melhor e penso que o conhecimento é  a chave disso, acharia egoísta da minha parte formar e usar o conhecimento adquirido aqui apenas para arrumar um bom trabalho. Assim sinto que estou fazendo minha parte – comenta Fabiele.

Fonte: NSC TOTAL
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