sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Acusados de degolar casal em Herval d'Oeste pegam mais de 140 anos de prisão

O mais longo julgamento realizado pela Comarca de Herval d´Oeste, que durou aproximadamente 10 horas ininterruptas, encerrou por volta das 2h35min da madrugada desta sexta-feira (8) com a leitura da sentença. Os acusados por degolar um casal no interior do município foram condenados a penas que, somadas, chegam a mais de 140 anos de prisão.

A sessão do Tribunal do Júri, presidida pelo juiz de direito Ildo Fabris Junior, foi realizada no auditório jurídico da Unoesc Joaçaba, e contou com aparato de segurança disponibilizado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

As provas apresentadas pelo Ministério Público convenceram os jurados que a filha adotiva do casal orquestrou a execução dos pais com o intuito de herdar os bens. “Os jurados tiveram um bom entendimento, conseguiram compreender o que aconteceu naquele dia”, destacou a promotora de justiça, Caroline Maresch, satisfeita com o resultado.  Ao seu lado atuou como assistente de acusação o advogado Juarez Antônio de Souza.

Apenas um dos acusados teve a desqualificação dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio para furto. A defesa conseguiu comprovar que Felipe Pelentir foi surpreendido pelos acontecimentos, pois apenas retirou a espingarda do interior da casa. “Estava na hora errada e com pessoas erradas”, avaliou seu advogado Luan Fernando Dias. De acordo com o defensor, Felipe foi peça fundamental na elucidação dos crimes. “Seu depoimento motivou a prisão dos demais acusados, mas infelizmente, pela visão equivocada do Ministério Público, ele foi colocado no mesmo balaio, não tendo nenhum benefício por ter contribuído, muito pelo contrário, sofreu ameaças de um dos acusados antes de apresentar sua versão à polícia e também no presídio”, lamentou.

Atuaram na defesa dos demais, os advogados Uriel Augusto Canele, Ernani Grosskalgs e Leocir Antônio Carneiro.

Sentença

Cleucimar de Fátima Cardoso Bello Vissoto, filha adotiva do casal, foi condenada a 46 anos e oito meses de reclusão em regime inicial fechado por homicídio qualificado (motivo torpe/desprezível, impossibilidade de defesa à vítima e homicídio tentado), e a 10 meses e 14 dias de detenção, em regime inicial aberto, por tentar induzir o juízo a erro.

Vanderson Delsiovo Cruz, foi condenado a 46 anos e oito meses de reclusão, em regime inicial fechado, por homicídio qualificado (motivo torpe/desprezível, emprego de meio cruel, impossibilidade de defesa à vítima e homicídio tentado) e a 1 anos de  detenção, em regime inicial aberto, por tentar induzir o juízo a erro.

Valdecir Pelentir foi condenado a 46 anos e 8 meses de reclusão por homicídio qualificado (motivo torpe/desprezível, emprego de meio cruel, impossibilidade de defesa à vítima e homicídio tentado) e 10 meses e 14 dias, em regime aberto, por tentar induzir o juízo a erro.

Felipe Pelentir, foi condenado a três anos, seis meses e 20 dias de reclusão no regime aberto pelo furto da espingarda.

O magistrado negou aos três condenados por homicídio o direito de recorrerem em liberdade.

Familiares se manifestaram

Familiares das vítimas, que acompanharam o desfecho do julgamento, fizeram questão de se manifestar. “Estou aliviado, bem mais tranquilo”, disse Otávio Bello, ao comentar que não acreditava que a filha adotiva pudesse ser considerada inocente. “O sentimento que eu tenho é que ela fique presa. O que ela fez pra mim e para minha esposa... não tenho sentimento nenhum. Tem que pagar pelo que fez”, acrescentou.

“Estou com o coração aliviado”, disse Luciane Bello, filha de Lucila Bello. “Graças a Deus eles foram condenados. A gente sabe que isso não vai trazer minha mãe de volta, mas pelo menos a justiça foi feita”.   

O crime

O crime ocorreu na madrugada dia 31 de março de 2018, quando o casal foi rendido por três elementos que invadiram a casa em Linha Santa Terezinha (Gaúcho). Lucila Bello, 59 anos, morreu no local com a garganta cortada. Seu esposo, Otávio Bello, 68 anos, foi socorrido com vida e conseguiu escapar da morte, mesmo tendo um corte profundo no pescoço.

Os quatro foram presos uma semana depois, quando a Polícia Civil localizou na casa de um deles a espingarda subtraída e duas facas, um delas usada para cometer o crime.

 Fonte: Caco da Rosa
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